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Contratura capsular: por que a prótese de mama pode ficar dura e como tratar?

Publicado em 07/08/2026 por Thiago

Contratura capsular

Principais tópicos

  • A classificação de Baker possui quatro graus; os graus III e IV são considerados graves pela FDA e podem exigir reoperação.
  • Uma publicação de 2025 reuniu 428 mulheres e 453 implantes ao avaliar a associação entre microbiota, biofilme e contratura capsular.
  • A FDA relaciona maior ocorrência a situações como infecção, hematoma e seroma, mas afirma que a causa exata da contratura permanece desconhecida.
  • Uma revisão publicada em 2024 incluiu 34 trabalhos sobre tratamento da contratura após aumento mamário; todos eram observacionais.
  • A contratura pode voltar após a cirurgia, por isso a revisão deve considerar cápsula, plano do implante, qualidade dos tecidos e histórico da paciente.

 

Introdução

A formação de uma cápsula ao redor da prótese de mama é uma resposta normal do organismo. Esse tecido fibroso se desenvolve naturalmente após a cirurgia e funciona como uma espécie de envoltório ao redor do implante. Na maioria das pacientes, essa cápsula permanece fina, macia e sem provocar alterações perceptíveis na mama.

 

Entretanto, quando esse tecido se torna mais espesso, rígido e começa a se contrair, ocorre a contratura capsular. Como consequência, a mama pode ficar mais firme, modificar seu formato e, nos casos mais avançados, apresentar desconforto ou dor. Por isso, é importante diferenciar a formação normal da cápsula de uma alteração que merece avaliação médica.

 

O que é contratura capsular?

A contratura capsular é uma alteração da cápsula de tecido cicatricial que se forma naturalmente ao redor do implante mamário. Em condições normais, essa cápsula permanece fina, macia e praticamente imperceptível. Quando ela se torna mais espessa, rígida e começa a se contrair, passa a comprimir a prótese e pode modificar a aparência e a consistência da mama.

 

Além disso, a contratura capsular não significa necessariamente que exista ruptura do implante. A FDA considera essas condições de complicações diferentes, embora possam ocorrer ao mesmo tempo em algumas situações. Por isso, a avaliação médica é importante para identificar a origem das alterações e diferenciar a contratura de outros problemas relacionados à prótese.

 

Por que a prótese pode ficar dura?

Na contratura capsular, a prótese não “endurece” propriamente. O que se torna rígido é o tecido cicatricial ao seu redor, que passa a exercer pressão sobre o implante. Conforme essa cápsula engrossa e se contrai, a paciente pode perceber a mama mais firme, arredondada, projetada ou com mudança progressiva de formato.

 

Nos casos mais avançados, essa compressão pode provocar deformidade, deslocamento aparente do implante, desconforto ou dor. Diante dessas alterações, o exame físico e, quando necessário, exames de imagem ajudam a avaliar a cápsula, a integridade da prótese e outras possíveis causas para a mudança de consistência ou formato da mama.

 

Por que a contratura capsular acontece?

A contratura capsular é considerada uma condição multifatorial, ou seja, não existe uma única causa capaz de explicar todos os casos. Sua formação pode estar relacionada à resposta inflamatória e cicatricial de cada paciente, além de fatores como hematoma, seroma, infecção, radioterapia e características do próprio procedimento cirúrgico.

 

Por esse motivo, mesmo quando todas as medidas de prevenção são adotadas, a contratura capsular ainda pode ocorrer. Alguns fatores podem ser reduzidos durante a cirurgia, como sangramento excessivo e contaminação, enquanto outros dependem da resposta biológica individual. Assim, o desenvolvimento da contratura resulta da interação entre diferentes mecanismos.

 

Qual é o papel do biofilme na contratura capsular?

O biofilme é uma comunidade de microrganismos que pode aderir à superfície do implante e permanecer protegida por uma matriz produzida pelas próprias bactérias. Diferentemente de uma infecção aguda, essa condição pode existir sem sinais evidentes como febre, vermelhidão ou secreção, mantendo um estímulo inflamatório de baixa intensidade ao redor da prótese.

 

A presença de biofilme tem sido associada à contratura capsular e é uma das hipóteses mais estudadas para explicar parte dos casos. Entretanto, essa relação não significa que bactérias sejam responsáveis por todas as contraturas. Como a condição é multifatorial, o biofilme deve ser entendido como um possível fator contribuinte, juntamente com características individuais, inflamação e outros eventos relacionados à cirurgia.

 

Como saber o grau da contratura capsular?

A avaliação clínica costuma utilizar a classificação de Baker, que divide a contratura em quatro graus conforme firmeza, aparência e sintomas. Embora a escala tenha um componente subjetivo, ela continua útil para comunicar a intensidade do quadro. Na prática, ajuda a distinguir uma cápsula sem repercussão relevante de alterações que já provocam deformidade ou dor. Logo, de forma prática, a partir desses critérios, cada grau da classificação de Baker pode ser compreendido pelas seguintes características clínicas:

  • Baker I: mama macia e com aparência natural, compatível com a cápsula esperada ao redor do implante.
  • Baker II: mama um pouco mais firme, porém com aspecto normal e geralmente sem dor importante.
  • Baker III: mama firme e com alteração visível de formato, podendo ocorrer maior arredondamento ou deslocamento.
  • Baker IV: endurecimento importante, deformidade e presença de dor ou sensibilidade.

 

Segundo a FDA, os graus III e IV são considerados graves e podem levar à necessidade de reoperação. Contudo, a decisão não deve depender apenas do número de Baker, pois sintomas, evolução, condição dos tecidos e posição do implante também influenciam a conduta. Dessa forma, a classificação organiza a avaliação clínica, mas não substitui um planejamento individualizado.

 

O que pode ser feito para reduzir o risco de contratura capsular?

O objetivo da cirurgia é reduzir fatores modificáveis sem prometer risco zero. Como a contaminação bacteriana é uma das hipóteses discutidas para o desenvolvimento da contratura, medidas destinadas a diminuir trauma, sangramento e contato desnecessário do implante com pele ou tecidos colonizados são utilizadas por muitos cirurgiões. Entretanto, a força da evidência varia entre essas estratégias e nenhuma medida isolada elimina a possibilidade da complicação.

 

Entre os cuidados técnicos que podem integrar o planejamento estão:

  • realizar dissecção delicada e controle cuidadoso do sangramento;
  • prevenir e tratar adequadamente hematomas e seromas;
  • manter técnica asséptica e reduzir o contato do implante com a pele;
  • proteger mamilo e aréola durante a introdução da prótese;
  • escolher criteriosamente a via de acesso e o plano do implante;
  • realizar irrigação do espaço criado para receber a prótese conforme o protocolo adotado;
  • utilizar dispositivos de inserção de forma seletiva, quando houver indicação.

 

Nesse contexto, recursos como os funis de inserção não devem ser apresentados como garantia de prevenção. Alguns trabalhos retrospectivos sugeriram menor ocorrência de contratura com técnicas chamadas de “no touch”, nas quais se procura reduzir a manipulação direta do implante, porém uma análise crítica publicada em 2023 identificou vieses importantes nesses dados e considerou insuficiente a evidência para atribuir o benefício ao funil isoladamente. Portanto, o dispositivo deve ser entendido como parte de uma estratégia cirúrgica, e não como um método comprovado de impedir a contratura.

 

Além disso, possuir uma prótese mamária, isoladamente, não significa que a paciente precise tomar antibiótico antes de procedimentos odontológicos. A American Dental Association informa que a profilaxia antibiótica é considerada desnecessária apenas pela presença de implantes mamários, salvo quando existem outras condições individuais que justifiquem uma indicação específica. Assim, antibióticos não devem ser utilizados por conta própria e qualquer decisão deve considerar o histórico clínico da paciente.

 

A contratura capsular pode voltar e como é tratada?

Sim. A contratura capsular pode reaparecer mesmo depois de uma cirurgia corretiva, o que torna a revisão diferente de uma simples troca de próteses. As possibilidades incluem capsulotomia, que significa abrir ou liberar a cápsula, capsulectomia, que corresponde à retirada parcial ou total desse tecido, além de troca do implante, mudança do plano da prótese e, em situações selecionadas, utilização de materiais adicionais de suporte.

 

A literatura, entretanto, ainda não identifica uma técnica superior para todos os cenários. Uma revisão publicada em 2024 reuniu 34 trabalhos, todos observacionais, e concluiu que a troca do implante, mudança de plano e capsulectomia podem ser úteis, mas ainda faltam dados de maior qualidade para estabelecer um algoritmo universal. Assim, como consequência, a escolha depende da posição anterior da prótese, qualidade dos tecidos, intensidade da contratura, histórico cirúrgico e segurança de cada abordagem.

 

Um trabalho histórico envolvendo implantes em plano subglandular ilustra como a recorrência pode variar conforme a técnica. Os pesquisadores identificaram novas contraturas em 46% das mamas tratadas com capsulectomia anterior e em 10% daquelas submetidas à capsulectomia total. Entretanto, essa análise retrospectiva foi publicada em 2000 e avaliou implantes e práticas cirúrgicas próprias daquele período. Portanto, esses percentuais não devem servir para prever, de forma individual, o risco de uma paciente submetida às técnicas utilizadas atualmente.

Como o planejamento cirúrgico é individualizado nos casos de recorrência?

Na prática do Dr. Thiago Cavalcanti, o planejamento de casos selecionados de contratura pode priorizar a criação de um novo plano para a prótese antes da abordagem da cápsula antiga. Com essa sequência, o cirurgião busca reduzir o contato do novo implante com fluidos e tecidos do compartimento anterior durante a cirurgia de revisão. Entretanto, a indicação dessa estratégia depende da espessura dos tecidos, da posição prévia do implante, do grau da contratura, da qualidade da pele e da segurança da dissecção. Por esse motivo, ela não se aplica de forma indiscriminada e deve ser individualizada para cada paciente.

 

Quando procurar avaliação para uma contratura capsular?

Se você percebeu que a mama ficou mais firme, dolorosa, assimétrica ou apresentou alguma mudança no formato após a colocação da prótese, vale buscar uma avaliação especializada. Assim, esses sinais podem estar relacionados à contratura capsular ou a outras alterações do implante e precisam ser analisados de forma individual.

 

O Dr. Thiago Cavalcanti atua especialmente em cirurgias mamárias, é formado pelo Instituto Ivo Pitanguy e possui CREMESC 20500/RQE 11931. Durante a consulta, é possível avaliar a condição da prótese, dos tecidos e da cápsula para definir a conduta mais adequada para o seu caso. Agende sua avaliação com o Dr. Thiago Cavalcanti e receba um planejamento individualizado para cuidar da sua saúde e do resultado da sua cirurgia.

 

Considerações Finais

Por fim, a contratura capsular é uma resposta cicatricial anormal que pode ocorrer ao redor do implante mamário e apresentar diferentes graus de intensidade. Em alguns casos, a paciente percebe apenas uma firmeza maior na mama; em outros, o endurecimento pode evoluir com alteração do formato, assimetria, desconforto ou dor. Dessa forma, a manifestação clínica varia bastante, e a avaliação deve considerar não apenas o grau da contratura, mas também os sintomas, a posição do implante, a qualidade dos tecidos e o histórico cirúrgico da paciente.

 

Além disso, diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da contratura capsular. Entre eles estão o biofilme bacteriano, o hematoma, o seroma, os processos inflamatórios, a infecção e as características individuais da cicatrização. No entanto, nenhum desses fatores, isoladamente, explica todos os casos. Por esse motivo, tanto a prevenção quanto o tratamento dependem de técnica cirúrgica cuidadosa, controle dos fatores modificáveis e planejamento individualizado, especialmente em pacientes que já apresentaram contratura anteriormente e podem exigir uma estratégia específica em uma cirurgia de revisão.

 

FAQ: perguntas frequentes sobre contratura capsular

Contratura capsular significa que a prótese rompeu?

Não. Contratura capsular e ruptura são complicações diferentes. Caso exista mudança de formato, dor ou suspeita de alteração do implante, o cirurgião pode solicitar exames de imagem para complementar a avaliação.

 

Toda mulher com prótese desenvolve uma cápsula?

Sim. A formação de uma fina cápsula fibrosa ao redor do implante faz parte da resposta normal do organismo. O problema ocorre quando essa cápsula se torna excessivamente espessa, rígida e contrátil.

 

Baker II precisa ser operado?

Não necessariamente. Baker II representa uma mama um pouco mais firme, porém com aparência normal. A necessidade de tratamento depende dos sintomas, da evolução e da avaliação individual da paciente.

 

Quem já teve contratura capsular pode ter novamente?

Sim. A recorrência é possível mesmo depois da correção cirúrgica. Por esse motivo, uma cirurgia de revisão pode envolver mudanças no plano do implante, na cápsula e em outros aspectos do planejamento.

 

 

Referências

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Dr. Thiago Cavalcanti

Quem é e suas especialidades

Dr. Thiago Cavalcanti é um renomado cirurgião plástico, formado pelo Instituto Ivo Pitanguy em 2009, no Rio de Janeiro. Especialista em cirurgia de mama, é referência na técnica R24R, que promove uma recuperação pós-operatória em apenas 24 horas.

Desde o início de sua jornada na medicina em 2003, ele se dedica incansavelmente ao aprimoramento de suas habilidades e ao aprofundamento de seus conhecimentos. Reconhecido por sua abordagem inovadora, Dr. Thiago também é palestrante internacional e educador, tendo participado de eventos e treinamentos em países como Itália, Espanha, Turquia, Suécia e Austrália, sempre em busca das mais avançadas técnicas de cirurgia plástica.

Membro Titular da SBCP: Detém o grau mais elevado de certificação dentro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Dr. Thiago Cavalcanti
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