Técnica Preservé: por que ainda prefiro o plano submuscular e o Grip Plane?
Publicado em 14/08/2026 por Thiago
Principais tópicos
- O Dr. Thiago Cavalcanti não é favorável à técnica Preservé, embora reconheça o valor da preservação tecidual. Em sua prática, prefere o plano submuscular e o Grip Plane por considerar que oferecem maior controle da dissecção, cobertura do implante e previsibilidade a longo prazo;
- O Dr. Thiago prefere o plano submuscular associado ao Grip Plane, por considerar que essa abordagem preserva estruturas importantes da mama e acrescenta uma camada de cobertura muscular sobre o implante, favorecendo a estabilidade e previsibilidade ao longo do tempo.
- A dissecção sob visão direta é um dos motivos para a preferência pelo Grip Plane, pois permite ao cirurgião identificar com precisão quais estruturas devem ser preservadas, quais precisam ser liberadas e onde realizar a hemostasia durante o procedimento.
- A separação entre o implante e a glândula mamária também pesa na escolha pelo plano submuscular, já que essa cobertura adicional reduz o contato direto da prótese com o tecido glandular e seus ductos.
- Na avaliação do Dr. Thiago, a Preservé ainda não oferece vantagens suficientes para substituir o Grip Plane, técnica que ele domina, acompanha há anos e considera previsível em pacientes corretamente selecionadas.
Introdução
A cirurgia de aumento mamário mudou significativamente nas últimas décadas. Além do formato e do volume do implante, hoje existe maior atenção à anatomia da mama, à qualidade dos tecidos, à vascularização e às estruturas que ajudam a manter sua forma. Nesse contexto, técnicas de preservação tecidual ganharam espaço ao propor menor ruptura de estruturas anatômicas durante a criação da loja do implante. Trabalhos anatômicos de Matousek, Corlett e Ashton (2014) e de Rehnke et al. (2018) contribuíram para compreender melhor essa rede de fáscias e ligamentos que participa da sustentação mamária.
É dentro dessa evolução que surge a Preservé, técnica à qual não sou favorável na minha prática cirúrgica. Embora reconheça a importância de princípios como preservação tecidual e redução do trauma, considero que esses objetivos podem ser alcançados de forma mais adequada por meio de outras abordagens. Por isso, prefiro o plano submuscular associado ao Grip Plane, que me permite preservar estruturas importantes da mama, realizar a dissecção sob visão direta e oferecer maior cobertura ao implante. Minha divergência com a Preservé, portanto, está principalmente na forma de criação da loja e no posicionamento pré-peitoral da prótese, aspectos que fazem com que eu opte por técnicas que considero mais previsíveis dentro da minha experiência cirúrgica.
O que é a técnica Preservé e o que ela procura preservar?
A Preservé é uma abordagem de aumento mamário com preservação tecidual que utiliza tunelização e expansão controlada com balão para criar a loja do implante em um plano pré-peitoral intralamelar posterior. Isso significa que o implante fica à frente do músculo peitoral, porém dentro de um envelope anatômico cuja proposta é preservar estruturas fasciais, ligamentares, vasculares e nervosas da mama, em vez de simplesmente reproduzir a dissecção subglandular convencional.
Esse conceito tem uma base anatômica relevante. Rehnke et al. (2018) descreveram um sistema fascial superficial envolvendo a mama e sua conexão periférica com o tórax, enquanto Matousek, Corlett e Ashton (2014) detalharam estruturas ligamentares relacionadas ao formato e à sustentação mamária. Nesse sentido, preservar estruturas que não precisam ser rompidas pode ser uma estratégia coerente para reduzir trauma cirúrgico. É justamente nesse ponto que concordo com a Preservé: preservar a anatomia não é apenas uma tendência, mas uma evolução importante da forma como pensamos a cirurgia mamária.
Por que continuo preferindo o plano submuscular no aumento mamário?
Eu continuo preferindo o plano submuscular porque ele acrescenta uma camada de cobertura sobre parte relevante do implante e apresenta um histórico mais amplo de utilização e acompanhamento. Na minha prática, o Grip Plane procura combinar essa posição submuscular com uma dissecção precisa e preservadora. Assim, meu objetivo não é escolher entre preservação ou músculo, mas utilizar o músculo sem abrir mão de respeitar as estruturas anatômicas que podem ser mantidas.
Existem dados que sustentam essa preferência, embora não permitam afirmar que o plano submuscular seja superior em todas as pacientes. Egeberg e Sørensen (2016), avaliando dados de 17.520 implantes, encontraram risco de contratura capsular mais de duas vezes maior na posição subglandular do que na submuscular. Mais recentemente, Haas et al. (2025) encontraram menor ocorrência de contratura no plano subpectoral em relação ao pré-peitoral, com OR de 0,35. Por outro lado, o plano subpectoral também pode apresentar desvantagens, como a movimentação do implante durante a contração muscular e deformidade de animação, o que reforça que a escolha precisa ser individualizada.
Qual é a relação entre glândula mamária, biofilme e contratura capsular?
O contato de bactérias com a superfície do implante é considerado um dos fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da contratura capsular, embora essa complicação tenha várias causas possíveis. Quando microrganismos aderem à prótese, eles podem formar o chamado biofilme, uma espécie de camada organizada que os protege e dificulta sua eliminação pelo organismo. Essa presença bacteriana persistente pode manter uma resposta inflamatória ao redor do implante e estimular alterações na cápsula de tecido que naturalmente se forma ao redor da prótese. Com o tempo, essa cápsula pode se tornar mais espessa e rígida, provocando endurecimento da mama, alteração do formato e, em casos mais avançados, desconforto ou dor.
Rieger et al. (2013) encontraram relação crescente entre culturas bacterianas positivas e graus mais elevados de contratura, enquanto Wixtrom et al. (2012) demonstraram contaminação bacteriana em 34,9% das amostras obtidas do complexo mamilo-aréola após a preparação cirúrgica. Esses dados não significam que simplesmente colocar o implante sob o músculo elimine a possibilidade de contaminação. Entretanto, aumentar a cobertura e reduzir a exposição direta da prótese aos tecidos glandulares faz parte da lógica de diferentes estratégias utilizadas para limitar o contato bacteriano durante a cirurgia.
Por que prefiro realizar a dissecção sob visão direta?
Prefiro realizar a dissecção sob visão direta porque quero identificar de maneira precisa quais estruturas estão sendo liberadas, quais devem ser preservadas e onde existem vasos que precisam de hemostasia. Hemostasia é o controle do sangramento durante a cirurgia. Para mim, enxergar a anatomia durante a criação da loja permite tomar decisões progressivamente e adaptar a dissecção às características específicas daquela paciente, algo que considero particularmente importante em uma cirurgia que busca precisão.
A Preservé segue uma filosofia diferente: após a criação de um acesso, um balão é expandido progressivamente para alongar os tecidos e formar a loja. Randquist et al. (2026) descreveram 330 procedimentos realizados dessa maneira, com resultados iniciais favoráveis. Portanto, não seria correto afirmar que a expansão com balão é necessariamente menos segura ou inferior à dissecção sob visão direta. Minha escolha é técnica: diante de duas maneiras de preservar os tecidos, continuo preferindo aquela na qual posso visualizar diretamente o que estou liberando e controlar a anatomia durante cada etapa.
A seleção da paciente e o tamanho do implante influenciam a escolha da técnica?
Sim. A qualidade dos tecidos, a espessura da cobertura mamária, a anatomia do tórax, o grau de flacidez e as dimensões do implante precisam fazer parte da decisão. Os próprios autores que utilizam técnicas de preservação tecidual destacam limitações de indicação. Randquist et al. (2026), por exemplo, consideram menos favoráveis pacientes com comprometimento importante do tecido conjuntivo, perda ponderal significativa, estrias intensas e algumas situações de cobertura insuficiente, reconhecendo que abordagens submusculares ou em dual plane podem continuar indicadas para determinadas anatomias.
Também não acredito que a discussão possa ser reduzida a um determinado número de mililitros. Medor et al. (2023) avaliaram 1.017 pacientes e encontraram associação entre volumes maiores e alguns desfechos, como ruptura e assimetria, mas não identificaram um volume único a partir do qual todas as complicações aumentassem significativamente. Em outras palavras, mais importante do que estabelecer arbitrariamente que 300, 350 ou 400 ml são adequados é relacionar o implante à largura da mama, aos tecidos disponíveis e às proporções corporais da paciente.
O que as evidências atuais da Preservé já mostram e o que ainda falta saber?
As evidências disponíveis em 2026 mostram resultados iniciais promissores para as técnicas de preservação tecidual, mas ainda não permitem conhecer com a mesma segurança seu comportamento após períodos muito longos. Randquist et al. (2026) relataram taxa global de complicações de 0,9% em 330 pacientes, com seguimento médio de 18 meses. Já Chacon-Quiros et al. (2026) acompanharam 111 pacientes durante 12 meses e observaram taxa de complicações de 4,5%, sem casos de contratura Baker III ou IV.
Além disso, Pittman et al. (2026) publicaram uma experiência multicêntrica envolvendo 159 pacientes, na qual 94% se declararam satisfeitas ou extremamente satisfeitas. Entretanto, o acompanhamento médio naquele momento era inferior a cinco meses, e os próprios autores ressaltaram que resultados clínicos, estéticos e de segurança em longo prazo ainda não poderiam ser plenamente caracterizados. Dessa forma, bons resultados iniciais são relevantes, mas não respondem sozinhos a questões relacionadas à estabilidade após muitos anos.
Esse cuidado é ainda mais importante porque parte das publicações recentes envolve autores que declararam vínculos profissionais, consultorias, participação em conselhos ou outras relações com a fabricante dos dispositivos utilizados. Isso não invalida os dados publicados, porém torna especialmente valiosa a futura reprodução dos resultados por grupos independentes e com acompanhamento prolongado. Portanto, continuo acompanhando a evolução da Preservé com interesse, sem considerar que a evidência existente até agora justifique abandonar uma técnica submuscular que utilizo, conheço profundamente e acompanho há anos.
Quer saber qual técnica é mais adequada para a sua anatomia?
O Dr. Thiago Cavalcanti (CREMESC 20500 | RQE 11931) é cirurgião plástico formado pelo Instituto Ivo Pitanguy e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com atuação especialmente dedicada às cirurgias das mamas. Sua abordagem parte da avaliação individual da anatomia, da qualidade dos tecidos e dos objetivos de cada paciente para definir não apenas o implante, mas também o plano cirúrgico mais adequado. Embora reconheça a importância dos conceitos de preservação tecidual discutidos pela técnica Preservé, não é favorável à técnica e prefere o plano submuscular associado ao Grip Plane.
Essa preferência está relacionada à possibilidade de realizar a dissecção sob visão direta, preservar estruturas importantes da mama e acrescentar a cobertura do músculo peitoral sobre o implante. Para o Dr. Thiago, esses fatores contribuem para maior controle durante a cirurgia e permitem avaliar o resultado não apenas nos primeiros meses, mas considerando também estabilidade e previsibilidade ao longo dos anos. Por isso, a escolha entre diferentes técnicas não deve acompanhar tendências, mas considerar indicação, características dos tecidos, tamanho do implante e experiência acumulada com cada abordagem.
Pioneiro no Brasil no protocolo R24R e criador de técnicas como Grip Plane e Mastogrip, o Dr. Thiago aplica diferentes estratégias conforme as necessidades de cada paciente, buscando conciliar preservação tecidual, segurança, naturalidade e uma recuperação inicial organizada. Durante a consulta, são explicadas as possibilidades, limitações e razões para a escolha do plano cirúrgico, permitindo que a paciente compreenda por que determinada técnica pode ser mais apropriada para sua anatomia. Agende uma avaliação com o Dr. Thiago Cavalcanti e descubra qual planejamento para cirurgia de mama é mais adequado para o seu caso.
Considerações Finais
A Preservé representa uma proposta recente dentro do conceito de preservação dos tecidos mamários e já apresenta resultados clínicos iniciais que justificam sua continuidade e investigação. Ainda assim, preservar a anatomia da mama não significa necessariamente abandonar o plano submuscular. Na minha prática, prefiro o Grip Plane porque consigo aplicar os mesmos princípios de preservação tecidual enquanto realizo a dissecção sob visão direta e mantenho o implante coberto pelo músculo peitoral, o que considero importante para proteção, estabilidade e controle do resultado ao longo do tempo.
Por esse motivo, hoje continuo optando pelo Grip Plane em detrimento da Preservé. Quando uma nova técnica surge, não considero apenas a proposta de tornar a cirurgia menos invasiva ou a qualidade dos resultados iniciais, mas também a seleção correta das pacientes, o nível de controle durante o procedimento e a consistência dos resultados após vários anos. Na cirurgia plástica, inovação é importante, porém acredito que uma técnica precisa demonstrar previsibilidade, segurança e estabilidade em acompanhamentos mais longos antes de substituir uma abordagem que já apresenta resultados consistentes na minha experiência.
FAQ: perguntas frequentes sobre técnica Preservé e plano submuscular
O que é a técnica Preservé?
A Preservé é uma técnica de aumento mamário desenvolvida para reduzir a dissecção e preservar estruturas naturais da mama, como ligamentos, fáscias, vasos e nervos. A loja do implante é criada por tunelização e expansão controlada dos tecidos com um balão, mantendo a prótese em posição anterior ao músculo peitoral. Embora a proposta de preservação tecidual seja interessante, não utilizo a Preservé na minha prática, pois prefiro o plano submuscular associado ao Grip Plane, que permite realizar a dissecção sob visão direta e acrescenta cobertura muscular ao implante.
O que é a mastopexia com Preservé?
A chamada mastopexia com Preservé associa os conceitos de preservação dos tecidos ao tratamento da queda ou flacidez das mamas, podendo incluir a colocação de implante quando houver indicação. Entretanto, mastopexia e Preservé não são sinônimos: a mastopexia envolve reposicionar e remodelar a mama, enquanto a Preservé se refere principalmente à forma como os tecidos são preservados e a loja do implante é criada. Por isso, a indicação depende do grau de flacidez, da qualidade dos tecidos e da anatomia de cada paciente; em minha prática, continuo preferindo técnicas de mastopexia associadas ao plano submuscular e ao Grip Plane quando há indicação de implante. A própria Motiva inclui a mastopexia entre as situações em que sua abordagem de preservação pode ser considerada.
Quanto custa a técnica Preservé em silicone?
Não existe um preço único para uma cirurgia com a técnica Preservé. O valor depende do implante utilizado, honorários da equipe médica, hospital, anestesia, estrutura necessária para o procedimento, cidade e complexidade do caso, especialmente quando existe associação com mastopexia. Por isso, o orçamento correto só pode ser definido após uma avaliação individualizada; além do preço, é importante discutir se a Preservé realmente é a abordagem mais adequada para aquela anatomia ou se outras técnicas, como o plano submuscular associado ao Grip Plane, podem oferecer vantagens para o caso específico.
A técnica Preservé coloca a prótese atrás do músculo?
Não. A técnica utiliza um plano pré-peitoral, ou seja, anterior ao músculo peitoral. Entretanto, sua proposta anatômica é diferente da dissecção subglandular tradicional, pois busca preservar a lamela posterior e estruturas ligamentares da mama.
A técnica Preservé é segura?
Os dados clínicos publicados até 2026 apresentam resultados iniciais favoráveis e baixas taxas de complicações em pacientes selecionadas. Entretanto, ainda são necessários acompanhamentos mais longos e dados independentes para compreender melhor os resultados tardios.
O plano submuscular reduz a contratura capsular?
Dados publicados associam o posicionamento submuscular ou subpectoral a menores taxas de contratura capsular quando comparado a alguns planos pré-peitorais. Isso não elimina o risco, pois a contratura possui diversas causas e depende de vários fatores.
O Grip Plane e a Preservé têm algo em comum?
Sim. Ambas as propostas valorizam a preservação das estruturas mamárias e procuram reduzir trauma desnecessário. A principal diferença está na forma de criar a loja e no posicionamento do implante, que no Grip Plane permanece em plano submuscular.
Implantes menores são sempre melhores?
Não existe um volume universal considerado ideal. O tamanho deve ser escolhido conforme largura da mama, espessura dos tecidos, características do tórax, elasticidade da pele e objetivos da paciente, e não apenas pelo número de mililitros.
Qual técnica proporciona o resultado mais duradouro?
Não existe uma técnica capaz de garantir estabilidade permanente para todas as pacientes. Envelhecimento, gravidez, variações de peso, qualidade dos tecidos, tamanho do implante e técnica cirúrgica influenciam a evolução da mama ao longo dos anos.
Referências
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