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Implantes mamários com alta tecnologia: o que mudou no gel, na superfície e na tecnologia das próteses?

Publicado em 04/09/2026 por Thiago

Implantes mamários

Principais tópicos

  • O gel dos implantes pode apresentar diferentes níveis de coesividade, propriedade relacionada à firmeza, deformação e capacidade de manter sua distribuição dentro da prótese.
  • Implantes de mesmo volume podem apresentar bases e projeções diferentes, modificando a maneira como esse volume se distribui sobre o tórax.
  • A superfície do implante pode ser lisa ou apresentar diferentes graus de rugosidade; a FDA informa que o risco de BIA-ALCL é maior com implantes de superfície texturizada em comparação aos lisos.
  • Determinados implantes incorporam um identificador passivo por radiofrequência, o RFID, capaz de fornecer um número eletrônico exclusivo de identificação da prótese.
  • No Brasil, próteses mamárias possuem controle sanitário específico, que inclui registro na Anvisa, requisitos de Boas Práticas de Fabricação e certificação de conformidade no âmbito do Inmetro.

 

Introdução

Quando se fala em prótese de silicone, o volume costuma receber grande parte da atenção, mas ele representa apenas uma das variáveis utilizadas no planejamento. Atualmente, os tipos de prótese de silicone podem diferir na composição e coesividade do gel, formato, largura da base, projeção, espessura e características da superfície do envelope. Além disso, determinados modelos incorporam tecnologias destinadas à identificação e à rastreabilidade do dispositivo.

 

Nesse sentido, a evolução tecnológica aumentou o número de combinações disponíveis para o cirurgião, mas também tornou a escolha mais complexa. Uma prótese de 300 ml, por exemplo, não necessariamente terá as mesmas dimensões ou o mesmo comportamento de outro implante com igual volume. Como consequência, entender as características físicas do dispositivo é mais útil do que considerar apenas seu tamanho ou associar determinada tecnologia automaticamente a um resultado “mais natural”.

 

Como é construída uma prótese de silicone atual?

Uma prótese de silicone moderna é formada, de maneira simplificada, por um envelope externo de elastômero de silicone e pelo material que ocupa seu interior, geralmente gel de silicone nos implantes utilizados para aumento mamário no Brasil. Entretanto, tanto o envelope quanto o gel podem variar em propriedades físicas entre fabricantes, linhas e modelos, o que interfere no comportamento do dispositivo depois de implantado.

 

Além disso, estudos que compararam características físicas de implantes comerciais encontraram diferenças em fatores como espessura do envelope, resistência à deformação, coesividade do gel e estabilidade da forma. Essas propriedades ajudam a explicar por que duas próteses aparentemente semelhantes em volume podem responder de maneira diferente à gravidade, à pressão dos tecidos e às mudanças de posição do corpo.

 

Por isso, a escolha não deve partir apenas da pergunta “quantos mililitros?”. A largura do tórax, a base da mama, a espessura dos tecidos, a elasticidade da pele, o volume mamário existente e o objetivo da paciente precisam ser relacionados às características do implante. Assim, a tecnologia funciona como uma ferramenta dentro do planejamento e não como substituta da avaliação anatômica.

 

O que mudou no gel de silicone das próteses mamárias?

Uma das principais evoluções está no controle da coesividade do gel, isto é, na maneira como as moléculas de silicone se conectam e determinam propriedades como firmeza, elasticidade e resistência à deformação. De acordo com Jewell e Jewell (2019), níveis maiores de ligação entre os polímeros produzem géis mais coesivos, enquanto formulações menos coesivas tendem a apresentar maior capacidade de deformação.

 

Essa característica influencia como o volume se distribui dentro do implante. Edwards et al. (2022) explicam que um gel com menor coesividade tende a apresentar maior deformação diante das forças externas, enquanto materiais mais coesivos preservam sua distribuição e forma com maior intensidade. Dessa maneira, a coesividade pode contribuir para diferenças de consistência, preenchimento e comportamento do implante, mas precisa ser escolhida conforme os tecidos e objetivos de cada paciente.

 

É nesse contexto que aparece o conceito de prótese ergonômica. Em determinados modelos comerciais, utiliza-se um gel viscoelástico desenvolvido para modificar sua distribuição conforme a posição corporal, apresentando comportamento diferente quando a paciente está deitada ou em pé. Porém, “ergonômica” não deve ser interpretada como sinônimo universal de prótese mais natural ou melhor, pois o resultado depende da interação entre implante, anatomia, cobertura de tecidos e planejamento cirúrgico.

 

O que muda entre as superfícies das próteses de silicone?

A superfície corresponde à parte externa do envelope que permanece em contato com os tecidos, e suas características podem variar de lisa a diferentes níveis de rugosidade e textura. Essas diferenças não são apenas visuais: a topografia da superfície influencia a interação do implante com os tecidos, incluindo aderência, formação da cápsula fibrosa e resposta inflamatória ao redor do dispositivo.

 

Por outro lado, a evolução desse conhecimento também modificou a discussão sobre segurança. A FDA reconhece uma associação entre implantes mamários e o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário, conhecido como BIA-ALCL, e informa que o risco é maior em pacientes que receberam implantes de superfície texturizada quando comparados aos de superfície lisa. Isso tornou a superfície um aspecto relevante tanto do ponto de vista estético quanto na avaliação de riscos.

 

No Brasil, o controle desses dispositivos cabe à Anvisa dentro de um regime sanitário específico. Além do registro sanitário, as próteses mamárias precisam atender requisitos relacionados às Boas Práticas de Fabricação e à certificação de conformidade realizada no Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, coordenado pelo Inmetro. Em 2025, por exemplo, a Anvisa suspendeu determinados produtos após identificar 47 irregularidades classificadas como de risco maior ou crítico na fabricação.

 

Formato e projeção fazem diferença na escolha da prótese?

Sim. Formato, largura da base e projeção determinam como um determinado volume será distribuído sobre o tórax e, portanto, fazem parte do planejamento da cirurgia. A projeção representa quanto o implante avança para a frente em relação à sua base; assim, dois implantes com volumes semelhantes podem apresentar dimensões diferentes e produzir relações distintas com os tecidos da paciente.

 

Além disso, existem implantes redondos e modelos desenvolvidos para manter ou assumir determinadas distribuições do gel. Entretanto, a aparência final não depende apenas do formato industrial da prótese. O volume mamário pré-existente, a espessura da cobertura dos tecidos, a elasticidade da pele, o plano em que o implante será colocado e a própria técnica cirúrgica também modificam a forma observada depois da cirurgia.

 

Por essa razão, perguntar qual prótese de silicone fica mais natural não possui uma resposta única. Um implante adequado para uma paciente com pouco tecido mamário e pele fina pode não ser a melhor escolha para outra com maior volume glandular ou características torácicas diferentes. Nesse sentido, naturalidade é resultado da relação entre dispositivo, anatomia e objetivo cirúrgico, e não apenas de uma tecnologia específica do implante.

 

O que é a chamada prótese de silicone com chip?

A chamada “prótese com chip” utiliza, em determinados modelos, um pequeno dispositivo de identificação por radiofrequência, conhecido como RFID. Segundo a documentação da FDA sobre implantes que incorporam essa tecnologia, trata-se de um microtransponder passivo localizado no implante e associado a um número eletrônico exclusivo. Isso permite identificar informações relacionadas ao dispositivo sem depender exclusivamente de documentos físicos.

 

É importante esclarecer, porém, que esse sistema não funciona como GPS e não serve para acompanhar a localização da paciente. Um RFID passivo não possui a função de rastreamento contínuo; sua finalidade está ligada à identificação do dispositivo quando aproximado do leitor apropriado. Munhoz et al. (2019) também descreveram o uso dessa tecnologia na identificação e avaliação da posição de determinados implantes em associação com exames de imagem.

 

Consequentemente, a principal contribuição desse recurso está na rastreabilidade e identificação do implante, e não na alteração do resultado estético. Além disso, como qualquer característica tecnológica, sua presença deve ser analisada dentro do conjunto de propriedades e evidências do produto. Portanto, possuir RFID não torna automaticamente uma prótese mais segura, adequada ou natural para determinada paciente.

 

Como escolher a prótese de silicone mais adequada?

A escolha deve começar pela anatomia e pelos objetivos da paciente e, somente depois, avançar para volume, gel, base, projeção, formato e superfície. A própria FDA orienta que a decisão seja discutida considerando tamanho, formato, superfície, local de implantação, características do dispositivo, benefícios e riscos. Além disso, a instituição destaca que implantes mamários não devem ser considerados dispositivos vitalícios.

 

No cenário brasileiro, também é importante que o dispositivo esteja devidamente regularizado e que sua procedência possa ser confirmada. A fiscalização da Anvisa inclui registro, acompanhamento pós-comercialização e medidas sanitárias quando são identificados problemas de fabricação ou segurança. Portanto, tecnologia, marca ou nomenclaturas comerciais não substituem critérios de regularização sanitária, indicação médica e acompanhamento adequado.

 

Assim, um implante tecnicamente sofisticado pode não ser a melhor alternativa para todas as pacientes. A decisão depende da relação entre base mamária, tórax, qualidade da pele, quantidade de tecido, proporções corporais e preferência estética, além da estratégia cirúrgica escolhida. O objetivo do planejamento é encontrar uma combinação coerente com essas características, em vez de selecionar uma prótese apenas porque representa a tecnologia mais recente disponível.

 

Como escolher a prótese de silicone com o Dr. Thiago Cavalcanti?

O Dr. Thiago Cavalcanti é cirurgião plástico formado pelo Instituto Ivo Pitanguy e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com atuação especialmente dedicada às cirurgias das mamas. Durante a avaliação, a escolha do implante considera não apenas o volume desejado, mas também características como base mamária, proporções do tórax, qualidade da pele, espessura dos tecidos e objetivos de cada paciente.

 

Entre os procedimentos realizados pelo Dr. Thiago Cavalcanti estão a mamoplastia de aumento, a mastopexia com ou sem implante, a mamoplastia redutora, a troca de prótese, o explante, a correção de mama tuberosa e a cirurgia híbrida. Durante o planejamento cirúrgico, o médico analisa características como tipo de gel, formato, projeção e comportamento biomecânico da prótese em conjunto com a anatomia da paciente. Dessa forma, o planejamento evita transformar uma tecnologia específica na escolha padrão para todas as mulheres.

Assim, conhecer as diferenças entre os implantes permite que a paciente participe da decisão com informações mais claras. Ainda assim, o cirurgião define a indicação final com base na anatomia, na qualidade dos tecidos, nas proporções corporais e nos objetivos de cada caso.

Agende uma avaliação com o Dr. Thiago Cavalcanti e descubra quais características de prótese podem oferecer o melhor equilíbrio entre segurança, naturalidade e resultado para a sua cirurgia de mama.

 

Considerações Finais

A evolução dos implantes mamários trouxe mudanças relevantes na engenharia dos dispositivos, principalmente na coesividade dos géis, nas propriedades do envelope, nas superfícies e nos mecanismos de identificação. Como consequência, atualmente existem mais possibilidades para adaptar determinadas características do implante às necessidades anatômicas e ao planejamento de cada paciente.

 

Entretanto, maior tecnologia não significa resultado automaticamente melhor. A prótese permanece apenas um dos componentes da cirurgia, e seu comportamento depende da interação com tecidos vivos, da técnica utilizada e das características individuais da paciente. Portanto, a escolha mais adequada não é necessariamente a prótese mais nova, mais coesiva ou com mais recursos, mas aquela cuja combinação de características faça sentido dentro de um planejamento individualizado.

 

FAQ: perguntas frequentes sobre tecnologia dos implantes mamários

O que é prótese ergonômica?

É uma denominação utilizada para determinados implantes cujo gel e estrutura são desenvolvidos para permitir maior redistribuição do conteúdo conforme a posição do corpo. Isso não significa, porém, que esse tipo seja necessariamente melhor ou mais natural para todas as pacientes.

 

O que é gel coesivo na prótese de silicone?

É um gel cujas moléculas possuem ligações que ajudam a manter o material integrado. O grau de coesividade influencia as propriedades como firmeza, deformação e manutenção da forma do implante.

 

Qual prótese de silicone fica mais natural?

Não existe um modelo universalmente mais natural. O resultado depende da relação entre formato e características do implante, largura do tórax, quantidade de tecido mamário, qualidade da pele, plano cirúrgico e objetivo da paciente.

 

Prótese de silicone com chip pode ser rastreada?

Não como um GPS. Em modelos que utilizam RFID passivo, o dispositivo permite identificar eletronicamente a prótese quando utilizado um leitor compatível, mas não realiza monitoramento contínuo da localização da paciente.

 

A prótese lisa é mais segura que a texturizada?

Não é adequado resumir toda a segurança do implante apenas à superfície. Entretanto, especificamente em relação ao BIA-ALCL, a FDA informa que o risco é maior com implantes texturizados do que com implantes lisos.

 

Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Anvisa determina recolhimento de lotes de implante mamário. Brasília, DF: Anvisa, 23 mar. 2022. Disponível em: Anvisa — controle de implantes mamários. Acesso em: 15 set. 2026.

 

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Anvisa suspende próteses mamárias e glúteas. Brasília, DF: Anvisa, 28 jul. 2025. Disponível em: Anvisa — suspensão de próteses em 2025. Acesso em: 15 set. 2026.

 

EDWARDS, Michael C. et al. Gel cohesivity and breast augmentation: applications to clinical practice. Aesthetic Surgery Journal Open Forum, v. 4, ojac088, 2022. DOI: 10.1093/asjof/ojac088. Disponível em: PubMed — Gel Cohesivity and Breast Augmentation

 

JEWELL, Mark L.; JEWELL, Hillary L. The science of cohesivity and elements of form stability. Plastic and Reconstructive Surgery, 2019. Disponível em: PubMed — The Science of Cohesivity and Elements of Form Stability

 

JEWELL, Mark L. et al. Physical properties of silicone gel breast implants. Aesthetic Surgery Journal, v. 39, n. 3, p. 264-275, 2019. DOI: 10.1093/asj/sjy103. Disponível em: PubMed — Physical Properties of Silicone Gel Breast Implants

Demais referências

CHANG, Edward I.; HAMMOND, Dennis C. Clinical results on innovation in breast implant design. Plastic and Reconstructive Surgery, v. 142, p. 31S-38S, 2018. Disponível em: PubMed — Clinical Results on Innovation in Breast Implant Design

 

MUNHOZ, Alexandre Mendonça et al. Usefulness of Radio Frequency Identification Device in diagnosing rotation of Motiva SmoothSilk implants after augmentation mammoplasty. Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open, v. 7, n. 11, e2497, 2019. DOI: 10.1097/GOX.0000000000002497. Disponível em: PubMed — RFID em implantes mamários

 

UNITED STATES. Food and Drug Administration. What to Know About Breast Implants. FDA, 2025. Disponível em: FDA — What to Know About Breast Implants. Acesso em: 15 set. 2026.

 

UNITED STATES. Food and Drug Administration. Questions and Answers about Breast Implant-Associated Anaplastic Large Cell Lymphoma (BIA-ALCL). FDA. Disponível em: FDA — BIA-ALCL e implantes mamários. Acesso em: 15 set. 2026.

 

UNITED STATES. Food and Drug Administration. Summary of Safety and Effectiveness Data: Motiva SmoothSilk Round and Round Ergonomix Silicone Gel-Filled Breast Implants. PMA P230005, 2024. Disponível em: FDA — SSED Motiva P230005. Acesso em: 15 set. 2026.

 

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Dr. Thiago Cavalcanti

Quem é e suas especialidades

Dr. Thiago Cavalcanti é um renomado cirurgião plástico, formado pelo Instituto Ivo Pitanguy em 2009, no Rio de Janeiro. Especialista em cirurgia de mama, é referência na técnica R24R, que promove uma recuperação pós-operatória em apenas 24 horas.

Desde o início de sua jornada na medicina em 2003, ele se dedica incansavelmente ao aprimoramento de suas habilidades e ao aprofundamento de seus conhecimentos. Reconhecido por sua abordagem inovadora, Dr. Thiago também é palestrante internacional e educador, tendo participado de eventos e treinamentos em países como Itália, Espanha, Turquia, Suécia e Austrália, sempre em busca das mais avançadas técnicas de cirurgia plástica.

Membro Titular da SBCP: Detém o grau mais elevado de certificação dentro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Dr. Thiago Cavalcanti
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